Comprimido #155 - Better Man
Andava a evitar um filme.
Não posso negar
que gosto de Robbie Williams. Sempre ouvi as suas músicas (não necessariamente a super famosa Angels, o álbum dele que prefiro até são covers de clássicos da música, incluindo uma cover swingada muito boa da sua própria Supreme). <
Há uns anos vi um concerto seu no North Fest e achei fabuloso, quer pelas músicas, quer pelas mensagens que deixou essa pessoa cheia de altos e baixos na vida.
Em 2024
saiu o seu filme. Eu não vi, porque o protagonista é um macaco – um chimpazé, se quiserem ser mais corretos. Achei pateta, perdi a vontade e mesmo quando passou para a HBO, marquei-o na minha lista para ver mais tarde e permaneceu intocado por lá.
No Sábado passado (há dois), sem vontade para ver – nem para fazer outra coisa – foi o Moço que sugeriu vermos esse e eu, assumindo que ia adormecer no sofá de qualquer forma e dormir a sesta, disse um ok sem entusiasmo.
A questão é porque é que
este filme não ganhou todos os prémios do mundo. É o melhor dos filmes de Óscar que vi – e só esteve nomeado pelos efeitos especiais (penso que ganhou um Globo de Ouro pela música).
É uma biografia musical, contada pela perspetiva do próprio, que ganhou vida pelas mãos de Michael Gracey (responsável também pelo The Great Showman).
Nos últimos anos, muitas biografias de artistas famosos ganharam vida: Bohemian Rapsody, Rocket Man, agora Jackson.Gostei de todas (a última ainda não vi), mas de nenhuma como a deste macaco. Que é macaco pela sua própria perspetiva de macaco dançante para entreter o público. Expõe as suas fragilidades, os seus erros, as relações marcantes, a família e, no final de tudo, como se tornou de facto um Better Man – não explico como, ou porquê, mas, foi para mim, o clímax do filme. Além de uma história sem tabus e magistralmente contada, a cinematografia, os efeitos visuais, as transições, os planos paralelos e alternados...tudo fascinante, da infância ao Albert Hall.
Tive a mesma sensação
no seu concerto. A de entrar um bocadinho nos sapatos de um homem que do nada conseguiu tudo, inclusivamente a podridão que acompanha a fama, mas que no fim, soube manter apenas o mais importante. A família atual não é abordada no filme, mas sabe-se que não foi ele o ator-protagonista, pelo menos em parte, porque não quis ausentar-se por tanto tempo de perto dos seus. Mas os olhos são os seus. A voz é sua. A performance emocionante de My Way, igual.
Só: vejam.
💊Medicação Prescrita
Sintoma(s):
Enjoo the biopics todas iguais, sobretudo as que não exploram os defeitos dos visados, ou as colocam sob uma lupa cor-de-rosa.
Receita:
Filme Better Man, seguido de audição em loop do álbum Swing Booth Ways, seguido de compra compulsiva de bilhetes para o MEO Kalorama 26, onde o Robbie estará a 28 de agosto.
Efeitos secundários:
Wrapped Spotify 2026 só vai ter Robbie Williams.
Todas as segundas, às 8h, começa a tua semana com a medicação recomendada por médico nenhum. Um comprimido com efeito placebo, mas sem efeitos secundários.
Se conhecerem quem goste de tolices e reflexões inconsequentes, partilhem o comprimido!


Fiquei curiosa!!!
Só agora, ao ler, é que me apercebi de que deve ser das poucas figuras públicas sobre as quais não sei absolutamente nada da vida pessoal. Na verdade, só conheço o “lado negativo da fama”. Fiquei curiosa.